Perdão: o que é, o que não é e quanto custa guardar rancor
Perdoar não é desculpar nem fazer as pazes. O que os psicólogos entendem por perdão, o que o rancor faz com o corpo e quando perdoar pode sair pela culatra.
Alguém disse algo cruel num almoço de família dois anos atrás. Você ainda repassa a cena, às vezes palavra por palavra, geralmente à noite. A outra pessoa provavelmente já esqueceu. Você não, e cada vez que repassa, um pouco da raiva volta.
O que perdão significa na psicologia
Em 1998, Michael McCullough e colegas descreveram o perdão como uma mudança de motivação em relação a quem magoou você: menos vontade de evitar a pessoa e menos vontade de dar o troco. Essa definição deixa de fora várias coisas que muita gente confunde com perdoar. Perdoar não significa desculpar o ato, esquecê-lo ou decidir que ele não importou. Também não exige fazer as pazes. Você pode perdoar alguém e manter distância, o que muitas vezes é a escolha sensata quando a pessoa continua fazendo mal.
Você, os outros e as situações
Em 2005, Laura Yamhure Thompson, C. R. Snyder e colegas publicaram a Heartland Forgiveness Scale. Ela trata o perdão como uma disposição, uma tendência geral, e o divide em três áreas: o autoperdão, o perdão a outras pessoas e as pazes com situações que ninguém controla, como doença ou azar.
O nosso teste de perdão pega emprestada essa ideia de três partes, mas as 12 afirmações são nossas, escritas para este site, então esta é uma ferramenta de autorreflexão, e não um questionário validado. Ele dá uma pontuação geral. As afirmações cobrem as três áreas, por exemplo “Com o tempo, consigo me perdoar pelos erros que cometi”, “Guardo rancor por muito tempo de quem me magoou” e “Quando a vida é injusta, acabo fazendo as pazes com o que não posso mudar”. Você responde numa escala de cinco pontos, de “discordo totalmente” a “concordo totalmente”. Cinco afirmações descrevem o oposto de perdoar, e concordar com elas baixa a sua pontuação.
O que o rancor faz
Em 2001, Charlotte vanOyen Witvliet e colegas pediram a pessoas que pensassem em alguém que as tinha magoado. Depois pediram que imaginassem ou ficar remoendo a mágoa e alimentando o rancor, ou reagir com empatia e perdão. Enquanto as pessoas imaginavam o rancor, a frequência cardíaca, a pressão arterial e a tensão dos músculos do rosto subiam, e elas relatavam mais sentimentos negativos. Durante as cenas de perdão, as medidas ficavam mais calmas.
O estudo mediu momentos curtos em laboratório, não a saúde a longo prazo. O que ele mostra é que remoer uma mágoa tem um custo físico enquanto você faz isso. Uma das afirmações do nosso teste pergunta exatamente sobre isso: “Fico revivendo na cabeça situações em que fui maltratado(a)”.
Quando perdoar pode sair pela culatra
Uma pontuação mais alta nem sempre é melhor. Em 2011, James McNulty acompanhou casais recém-casados ao longo de vários anos. Quando um dos cônjuges tendia a perdoar com facilidade, a agressão psicológica e física do outro tendia a continuar em vez de diminuir. Perdoar sem nenhuma consequência pode dizer à outra pessoa que o comportamento é aceitável.
Então uma pontuação alta diz que você deixa mágoas para trás com facilidade. Se isso te faz bem ou não depende de quem você está perdoando e do que essa pessoa faz depois. Perdoar nunca precisa significar continuar numa situação que faz mal, e se você está numa, um(a) psicólogo(a) ou alguém de confiança pode ajudar você a pensar sobre isso.
Se as afirmações sobre o autoperdão puxaram sua pontuação para baixo, a Escala de Autocompaixão e o post sobre os três pilares da autocompaixão olham para esse lado. Se o que fica depois de um conflito é a raiva, faça o teste de controle da raiva.
Faça o teste grátis
Resultados na hora. Sem cadastro. Metodologia científica confiável.
Começar o teste →