Autoeficácia: o que a Escala de Autoeficácia Geral diz sobre a sua confiança em si
Autoeficácia é a sua crença de que consegue lidar com o que vier. O que Bandura quis dizer com isso, o que as dez afirmações da GSES perguntam e como ler sua pontuação.
Duas pessoas são reprovadas na mesma prova. Uma conclui que a matéria está além do seu alcance e para de tentar. A outra conclui que se preparou do jeito errado e muda o plano. As duas podem ter a mesma capacidade. O que muda é como cada uma avalia suas chances de se sair melhor.
Albert Bandura chamou esse julgamento de autoeficácia. Num artigo de 1977, ele a descreveu como a crença de uma pessoa de que consegue fazer o que uma situação exige, e argumentou que ela define quais tarefas as pessoas assumem, quanto se esforçam e por quanto tempo continuam depois de um revés. O nosso teste da Escala de Autoeficácia Geral mede uma versão ampla dessa crença.
Dez afirmações de Schwarzer e Jerusalem
Para Bandura, a autoeficácia estava ligada a tarefas específicas: você pode se sentir muito capaz no trabalho e não saber por onde começar diante da declaração do imposto de renda. Em 1979, os psicólogos alemães Matthias Jerusalem e Ralf Schwarzer criaram uma escala para um senso mais geral de que você consegue enfrentar dificuldades. Mais tarde, ela foi reduzida a dez afirmações e traduzida para muitos idiomas.
O nosso teste usa essas dez afirmações, a partir da versão em inglês de Schwarzer e Jerusalem (1995), com as quatro respostas originais: nada verdadeiro, pouco verdadeiro, moderadamente verdadeiro e totalmente verdadeiro. Exemplos: “Sempre consigo resolver problemas difíceis se eu me esforçar o bastante”, “Consigo manter a calma diante das dificuldades porque posso contar com minha capacidade de enfrentá-las” e “Geralmente consigo lidar com o que quer que apareça no meu caminho”.
Todas as dez afirmações formam uma única pontuação, e todas estão redigidas no mesmo sentido, então uma pontuação mais alta significa uma crença mais forte de que você consegue dar conta. Em pesquisa, as respostas são somadas num total entre 10 e 40.
De onde vem essa crença
Bandura apontou quatro fontes. A mais forte é a experiência de domínio, ter dado conta de algo difícil por conta própria. A segunda é ver pessoas parecidas com você terem sucesso. A terceira é o incentivo dos outros, que funciona melhor quando é realista. A quarta é como você interpreta o próprio corpo: o coração disparado antes de uma apresentação pode parecer a prova de que você não vai conseguir, ou simples nervosismo.
Essas fontes explicam por que a autoeficácia pode mudar. Ela cresce principalmente quando você faz coisas um pouco mais difíceis do que as que já fez e as termina.
Autoeficácia e autoestima
Autoeficácia é um julgamento sobre o que você consegue fazer. Autoestima é um julgamento sobre quanto você vale. Você pode gostar de si e ainda duvidar que conseguiria consertar um notebook quebrado, ou se sentir capaz de tocar um projeto enquanto tem uma opinião ruim sobre si como pessoa. A Escala de Autoestima de Rosenberg mede a segunda.
A versão geral da autoeficácia se mostrou consistente entre culturas. Em 2002, Urte Scholz, Benicio Gutiérrez-Doña, Shonali Sud e Ralf Schwarzer compararam dados da escala em 25 países e descobriram que ela media um único fator geral em cada um deles.
Como ler sua pontuação
Uma pontuação alta significa que você espera encontrar uma saída quando os problemas aparecem. Ela também pode significar menos cautela do que uma tarefa merece, então compare com o que você de fato já conseguiu fazer.
Uma pontuação baixa muitas vezes vem depois de uma sequência de reveses, ou de uma fase em que outras pessoas resolviam os problemas por você. Escolha um problema que você vem evitando, deixe o primeiro passo pequeno o bastante para terminá-lo nesta semana e repare no momento em que terminar. Essa é uma experiência de domínio na sua forma mais simples.
Como as dez afirmações apontam todas para o mesmo lado, um hábito geral de concordar com o que se lê pode empurrar a pontuação um pouco para cima. Leve isso em conta se a maioria das suas respostas foi “totalmente verdadeiro”.
Se as suas dúvidas são mais sobre metas de longo prazo, a Escala Grit olha para a perseverança. Professores podem ler sobre a versão da sala de aula em autoeficácia docente, e o artigo sobre locus de controle trata de uma crença parecida: se o que acontece com você depende das suas próprias ações.
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