Fome emocional: quando a comida responde a um sentimento, e não à fome
Comer por estresse, tédio ou tristeza é comum. O que o nosso teste de fome emocional de 10 afirmações pergunta, o que as pesquisas dizem sobre estresse e quando buscar ajuda.
É noite, depois de um dia longo. Você não está com fome, mas abre a geladeira mesmo assim, e dez minutos depois não sabe direito o que comeu. Quase todo mundo conhece esse momento. O que importa é com que frequência ele acontece, e se a comida virou sua principal forma de lidar com sentimentos difíceis.
Comer por outros motivos que não a fome
Os psicólogos chamam isso de fome emocional: comer em resposta a emoções, geralmente desagradáveis, e não à fome física. Em 1986, Tatjana van Strien e colegas publicaram o Dutch Eating Behaviour Questionnaire, que separa três padrões: a fome emocional, a alimentação externa (comer porque a comida está à vista ou tem um cheiro bom) e a restrição alimentar. Ele ainda é um dos questionários mais usados sobre o tema.
O nosso teste de fome emocional parte dessa ideia de fome emocional, mas fomos nós que escrevemos as 10 afirmações, então esta é uma ferramenta de autorreflexão, e não o questionário holandês nem qualquer outra medida validada. Para cada afirmação, você escolhe com que frequência ela vale pra você: nunca, raramente, às vezes, com frequência ou quase sempre. As dez somam uma única pontuação.
O que as afirmações cobrem
Algumas afirmações perguntam sobre gatilhos, como “Recorro à comida quando me sinto estressado(a), mesmo sem fome” e “Como quando estou entediado(a)”. Outras perguntam como é o próprio ato de comer, por exemplo comer rápido e quase no automático, ou ter dificuldade de parar. Um terceiro grupo pergunta sobre o que vem depois, como “Sinto vergonha de quanto comi”.
Então uma pontuação alta pode vir de fome emocional frequente, de muita culpa e vergonha por causa dela, ou das duas coisas. Veja quais afirmações você pontuou mais alto antes de tirar conclusões do total.
O estresse não afeta todo mundo do mesmo jeito
O estresse faz algumas pessoas comerem mais e outras comerem menos. Em 2000, Georgina Oliver, Jane Wardle e Leigh Gibson fizeram um estudo de laboratório em que parte dos participantes passava pelo estresse de preparar um discurso e depois recebia uma refeição. Entre as pessoas com pontuação alta em fome emocional, o estresse levou a comer mais alimentos doces e gordurosos. O mesmo estresse não teve esse efeito em quem tinha pontuação baixa.
Comer pra acalmar um sentimento de vez em quando faz parte da vida. Comida conforta, e um pedaço de bolo depois de uma semana difícil não precisa de conserto. Vira motivo de preocupação quando comer é a sua principal ou única forma de se acalmar, ou quando a culpa que vem depois soma um segundo sentimento ruim ao primeiro.
Pequenos passos sem regras sobre comida
Quando perceber vontade de comer fora das refeições, pare um instante e dê nome ao que está sentindo: cansaço, tédio, solidão, raiva ou fome. Às vezes a comida continua sendo a resposta, e tudo bem. Às vezes outra resposta combina melhor com o sentimento, como descansar, dar uma volta curta ou mandar mensagem pra alguém de quem você gosta. Se você comer por conforto, tente prestar atenção ao sabor em vez de comer no piloto automático, e pule a autocrítica depois, que só soma mais um sentimento ruim ao que você já tinha.
Não é um diagnóstico
Este teste não diagnostica nada, nem transtornos alimentares. Converse com um(a) médico(a) ou psicólogo(a) se você costuma comer grandes quantidades de comida sentindo que não consegue parar, se come escondido, se tenta compensar o que comeu vomitando, jejuando ou fazendo exercício pesado, ou se pensamentos sobre comida e sobre o seu corpo ocupam boa parte do seu dia. O mesmo vale se a fome emocional vier junto com semanas de humor baixo ou ansiedade forte.
Se o estresse é o seu gatilho mais comum, a Escala de Estresse Percebido (PSS-10) e a Escala de Regulação Emocional olham para isso de outros ângulos. Se a culpa é a parte mais difícil, leia sobre os três pilares da autocompaixão.
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